
Título Original
Título Brasileiro
SINOPSE
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EQUIPE TÉCNICA
Diretor(a)
Roteirista
ELENCO
Lamont Cranston / The Shadow
Marcia Delthern
Jasper Delthern
Winstead Comstock
Humphrey Comstock
Brossett
Captain Breen
Hendricks
Caleb Delthern
Wellington
Warren Berranger
Kelly
Bill Gordan
Chester Randall
Reporter #1
Cop
Red Hogan
Police Officer
Gunman
REVIEW PITIZZO
The Shadow Strikes (1937): O Início do Vigilante que Ri no Escuro
Este foi o primeiro filme que assisti quando tirei o projeto do Pitizzo do papel, e já aviso: foi uma missão de arqueologia cinematográfica. Tive que legendar o longa por conta própria, já que ele é praticamente um “achado” perdido na internet, sem remasterizações oficiais ou DVDs bonitões disponíveis para compra por aqui. A qualidade visual que temos hoje é, para dizer o mínimo, duvidosa, mas a importância histórica desse cara compensa o esforço.
Lançado originalmente em 1937, Mr. Sombra (como supostamente saiu aqui no Brasil, mas encontrei quase nenhuma informação a respeito, me ajudem!) carrega o peso de seus quase 90 anos. É um cinema de outros tempos, com um ritmo de narração que pode assustar quem está acostumado com a edição frenética do MCU. Aqui, o que dita o tom não são as explosões, mas a fala. O filme tem uma estrutura que remete diretamente às radionovelas — o que faz todo o sentido, já que o personagem nasceu e se consagrou no rádio.
Fotografia e a Direção de uma Época Esquecida
A direção de Lynn Shores foca no essencial de um filme B daquela época: diálogos rápidos e cenários internos. Não espere grandes inovações visuais ou enquadramentos artísticos profundos. A fotografia é funcional, servindo mais para criar o clima de mistério policial do que para estabelecer uma identidade visual marcante como veríamos décadas depois no noir.
O filme é curto, com apenas 61 minutos, mas é um verdadeiro atropelo de falas. Existem poucos momentos de respiro, o que torna a experiência densa. Você precisa prestar atenção em cada detalhe para não se perder na trama de mistério. É curioso notar como o Sombra propriamente dito aparece pouco; o foco está muito mais no jogo de cintura de Lamont Cranston (interpretado por Rod La Rocque) como detetive e criminologista.

Enredo: Mistério no Testamento (Atenção para Spoilers!)
A trama começa com Lamont Cranston assumindo a identidade de O Sombra para impedir um roubo. No entanto, as coisas saem do controle quando ele é confundido com um advogado em uma mansão. Ele decide manter o disfarce para investigar o assassinato de um cliente rico, Caleb Delthiern. A partir daí, o filme se torna um clássico “quem matou?”, onde a sobrinha de Caleb, Marcia, e outros herdeiros se tornam suspeitos imediatos.
Cranston descobre que a arma usada no crime esconde segredos sobre a conspiração liderada por criminosos que querem colocar as mãos no testamento do falecido. Entre ameaças no cassino de Brossett e olhares suspeitos do mordomo Wellington, Lamont precisa usar toda sua inteligência para desmascarar os vilões. No clímax, Cranston consegue frustrar os planos dos bandidos, que acabam se eliminando em conflitos internos, protegendo o legado de Caleb.
Recomendação Pitizzo:
Se você quer ver uma versão mais moderna e visualmente deslumbrante do personagem, recomendo fortemente o filme O Sombra (1994), estrelado por Alec Baldwin. Ele captura muito bem a mística dos poderes mentais e a estética dos anos 30 com o orçamento de um blockbuster.
Do Rádio para as Telas: O Material de Origem
O Sombra é um dos personagens mais influentes da cultura pop, criado originalmente por Walter B. Gibson (sob o pseudônimo de Maxwell Grant) para as revistas pulp e o rádio. Ele é famoso pela frase: “Quem sabe o mal que se esconde no coração dos homens? O Sombra sabe!”. O filme de 1937 tenta adaptar essa aura de mistério, embora deixe de lado os elementos mais sobrenaturais ou hipnóticos que o personagem apresentaria mais tarde. Este longa adapta especificamente o conto “The Ghost of the Manor”, escrito em 1933.
Até por isso, seria justo classificar esse filme como “quase de quadrinhos“, já que nesta época o personagem ainda estava nessa transição do rádio, para pulp magazines (que até possuíam algumas ilustrações, mas não era o principal foco), cinema e então chegou aos quadrinhos. Mas como o personagem chegou ao estrelato graças aos quadrinhos, iremos manter ele como “filme baseado em quadrinho” mesmo.
É impossível falar de O Sombra sem citar sua influência direta na criação do Batman. A dinâmica do bilionário recluso que usa disfarces e incute medo nos criminosos serviu de base para Bob Kane e Bill Finger anos depois. Assistir a este filme é, de certa forma, ver o DNA dos super-heróis modernos sendo formado em uma época onde eles ainda eram chamados apenas de “justiceiros de aluguel”.
Veredito Pitizzo
O Sombra Ataca é um prato cheio para quem gosta de história do cinema, mas pode ser um desafio para o espectador casual. É um filme de suspense policial puro, arrastado pelo excesso de diálogos e pela produção modesta. No entanto, ver Lamont Cranston em ação em 1937 tem um charme inegável. Minha torcida é para que algum estúdio recupere os negativos originais e faça uma remasterização digna, como aconteceu recentemente com Chandu, o Mágico (1932).

Curiosidades e Easter Eggs dos Bastidores
Voz do Rádio: Na época, o público estava muito acostumado com a voz de Orson Welles no rádio como O Sombra, o que gerou comparações inevitáveis com a atuação de Rod La Rocque.
Rod La Rocque: O ator era uma estrela do cinema mudo que conseguiu fazer a transição para o falado, e sua postura elegante ajudou a definir o Lamont Cranston das telas.
Poverty Row: O filme foi produzido pela Grand National Pictures, um estúdio pequeno da chamada “Poverty Row”, o que explica o orçamento apertado e os cenários limitados.
A Risada: Embora o filme seja mais contido, a risada maníaca do Sombra — marca registrada do rádio — é o que realmente causava calafrios nos vilões daquela década.
Erros de Grafia: Uma curiosidade bizarra é que o nome do protagonista aparece como “Granston” em alguns créditos e até em recortes de jornal dentro do próprio filme, em vez do correto Cranston.
Pioneirismo: Esta foi a primeiríssima adaptação cinematográfica de O Sombra, pavimentando o caminho para todas as versões que vieram depois.
- Continuação: O longa inclusive tem uma continuação em Crime Internacional, outra produção que tentava entender como levar esse personagem para o cinema.
Mídias Físicas e Colecionáveis
Se você é colecionador, a situação é difícil. O Sombra Ataca não possui uma edição nacional em Blu-ray ou sequer em DVD com qualidade de ponta. O filme caiu em domínio público em muitos lugares, o que resultou em cópias de baixa qualidade em coletâneas de “filmes de mistério”.
A trilha sonora original, composta por sons típicos de suspense da década de 30, nunca foi lançada separadamente de forma oficial. Para os fãs do personagem, o jeito é esperar por edições importadas da Arrow Films ou da Severin, que costumam resgatar essas pérolas, embora este título específico ainda aguarde seu “dia de glória” no restauro digital.


















