
Título Original
Título Brasileiro
SINOPSE
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EQUIPE TÉCNICA
Diretor(a)
Roteirista
Roteirista
Produtor(a) executivo(a)
Música
ELENCO
Officer Alex J. Murphy / RoboCop
Officer Anne Lewis
The Old Man
Dick Jones
Clarence Boddicker
Bob Morton
Sgt. Warren Reed
Leon Nash
Johnson
Emil Antonowsky
Joe Cox
Kaplan
Steve Minh
Walker
Sal
Miller
Manson
Lt. Hedgecock
Bobby
Dougy
Prisoner
Slimey Lawyer
Bail Bondsman
Kinney
Ramirez
Starkweather
Chessman
Cecil the Clerk
Roosevelt
Tyler
Technician #1
Technician #2
Dr. McNamara
Creep
Rape Victim
Hophead
Grocery Mom
Grocery Pop
Barbara
Chandra
Tawney
Salesman
Murphy’s Wife
Murphy’s Son
Bixby Snyder
Justin Ballard-Watkins
Peter the Homeowner
Gas Station Attendant
Nurse
Emergency Doctor
Emergency Doctor
Jesse Perkins
Casey Wong
Undercover Cop
Sal’s Gunman
ED-209 (voz)
Estevez
Restroom Junior Executive
News Crew
Sal’s Bodyguard
Young Girl
Dad in Nuke-‘em’ Commercial
Pizza Dough Juggling Girl
Man in ‘6000 SUX’ Commercial
S.W.A.T. Team Member
S.W.A.T. Team Member
Keva Rosenberg
Blonde Thug
Dancer at Disco
Street Kid
Nukem
REVIEW PITIZZO
A Ressurreição Corporativa: De Volta a Detroit
Comecei assistindo a este filme já sabendo que ele era um marco excelente, famoso por sua crítica social pesada às grandes corporações que controlam tudo e fazem suas “maracutaias” para garantir o sucesso a todo custo. Dirigido pelo mestre do sarcasmo holandês Paul Verhoeven (O Vingador do Futuro, Tropas Estelares), RoboCop (1987) supera qualquer expectativa de ser apenas mais um “filme de tiro”.
O desenrolar da história flui tão bem que as quase duas horas de filme passam voando — especialmente se você assistir à “Versão do Diretor” (Director’s Cut), que é a mais completa, com classificação “R” e repleta daquela violência gráfica sem filtros que a censura cortou dos cinemas na época.

A trama nos joga em uma Detroit distópica à beira do colapso e dominada pela criminalidade, onde a megacorporação Omni Consumer Products (OCP) privatiza a polícia, transformando a cidade em um produto. É nesse cenário caótico que o oficial Alex Murphy é brutalmente assassinado em serviço por uma gangue, apenas para ser “salvo” pela OCP.
Sacanagem corporativa, maluquices e quadrinhos
Se formos analisar friamente, a premissa traz a parte mais bizarra e ironicamente engraçada de toda a trama: quando você estiver triste com o seu trabalho, lembre-se de que Murphy (Peter Weller) literalmente morreu em serviço, e a corporação deu um jeito de ressuscitá-lo só para ele continuar trabalhando — e de graça! Nada é tão ruim que o capitalismo distópico não possa piorar, não é mesmo?
As atuações pendem propositalmente para o caricato. Afinal, quem sobreviveria a tantos tiros assim no mundo real? Sua colega, a icônica Anne Lewis (vivida pela durona Nancy Allen), também leva uns bons balaços de grosso calibre e milagrosamente sobrevive. O elenco é formidável: Weller entrega uma fisicalidade robótica impecável, Kurtwood Smith faz de Clarence Boddicker um dos vilões mais sádicos da década, e Ronny Cox brilha como o inescrupuloso executivo Dick Jones.

Apesar de ser uma ideia original de Edward Neumeier e Michael Miner, RoboCop respira a estética dos quadrinhos e mangás. Suas raízes bebem de forma escancarada da fonte de Juiz Dredd e heróis mecanizados. Há uma fortíssima conexão com 8 Man (mangá e anime de 1963 sobre um detetive ressuscitado como ciborgue), servindo de ponte entre a ficção científica ocidental e oriental. Neumeier até tentou vender a ideia como HQ para a Marvel primeiro. A editora só abraçou o policial do futuro após o sucesso do filme, lançando uma adaptação e depois uma série mensal (1990-1992), inserindo o herói num contexto mais super-heróico e suavizando a violência por conta do Comics Code. Anos depois, o personagem ganharia um lendário crossover RoboCop vs. The Terminator, escrito pelo mestre Frank Miller nas HQs.
Aqui no site, acabei colocando este filme como sendo original (sem origem em quadrinhos ou mangás), por tudo apontar que ele de fato, é um personagem original. Mas ele só está aqui em nossa base de dados de adaptações de quadrinhos por sua extrema semelhança com o 8-Man, que originou nos mangá. Ele merece. Ou será que categorizo ele como Filme que virou Quadrinhos?
Quando o Gore Vai Para o Oscar
Pode parecer surreal hoje em dia, mas essa carnificina satírica não passou despercebida pelas grandes premiações. No Oscar de 1988, RoboCop levou para casa um Prêmio de Conquista Especial (Special Achievement Award) pela Edição de Efeitos Sonoros, além de indicações a Melhor Montagem e Melhor Som. Para um filme com orçamento modesto e litros de sangue falso, figurar no tapete vermelho ao lado de dramas de época foi uma vitória estrondosa.

No Saturn Awards, foi a grande estrela do ano: Melhor Filme de Ficção Científica, Melhor Diretor, Melhor Roteiro, Melhor Maquiagem e Melhores Efeitos Especiais, além de indicações de atuação para Peter Weller e Nancy Allen. Também arrebatou indicações ao BAFTA (Efeitos Visuais e Maquiagem).
Sangue, Aço e Corações da Yamaha
A direção visual de Verhoeven, somada à fotografia de Jost Vacano, é brilhante. Os enquadramentos são dinâmicos e criam uma Detroit suja e decadente (filmada, na verdade, em Dallas), contrastando com a assepsia corporativa. Mas a alma visual mora nos efeitos práticos e no lendário design do traje feito por Rob Bottin.
Temos o puro suco da “trasheira” dos anos 80 no clímax do filme: o capanga Emil colide violentamente com um tanque de lixo tóxico, saindo com a pele derretendo numa maquiagem absurdamente nojenta, para logo em seguida explodir no para-brisas de um carro. Gore gratuito e espetacular! Em contraste, temos a inesquecível animação em stop-motion do robô rival ED-209, de Phil Tippett. A técnica marcou época, mas parece que pouparam alguns frames; embora a frieza mecânica funcione, a fluidez poderia ser um pouquinho mais caprichada.
E não podemos esquecer a genial parte midiática do filme: telejornais passando informações bizarras intercalados com comerciais absurdamente sarcásticos — como os anúncios de corações artificiais da Yamaha e o jogo de tabuleiro de guerra nuclear “Nuke ‘Em”.
Easter Eggs e Referências
- O Multiverso dos Atores (HQ e Animações): O elenco virou realeza geek. Peter Weller eternizou sua voz como Bruce Wayne na animação Batman: O Cavaleiro das Trevas. Miguel Ferrer (Bob Morton) cocriou o herói Comet Man para a Marvel e virou voz cativa nas séries animadas da DC (Aquaman, Caçador de Marte, Deathstroke), além de atuar em Homem de Ferro 3. Kurtwood Smith dublou Kanjar Ro em Lanterna Verde: Primeiro Voo, e Ray Wise (o capanga Leon) foi o cientista Alec Holland em O Monstro do Pântano e atuou em X-Men: Primeira Classe.

O Carro 6000 SUX: O veículo dos comerciais é um trocadilho com “sucks” (é uma porcaria), driblando a censura automotiva.
O Rugido do ED-209: O som intimidador do mecha é o rugido de um jaguar reproduzido de trás para frente. A voz original do robô é do próprio produtor do filme, Jon Davison.

Referências de Software: A visão em primeira pessoa do RoboCop exibe códigos MS-DOS baseados em comandos reais da época.
- Cameos Escondidos: Quando Murphy pesquisa o rosto de Emil na delegacia, as fotos que passam são de membros da equipe. Paul Verhoeven faz uma micro-aparição como dançarino na boate, e o roteirista Ed Neumeier aparece num cartaz de “Procurado”. No fim dos créditos das edições clássicas, o aviso de direitos autorais ameaça pirateadores com “droids de aplicação da lei”.
Curiosidades de Bastidor e Produção
Roteiro no Lixo: Paul Verhoeven quase não dirigiu o filme. Achou o roteiro um B-movie estúpido e jogou no lixo. Foi sua esposa que pegou, leu e explicou as camadas satíricas e religiosas, convencendo-o a voltar atrás.
A Fornalha de Aço: A armadura levou 10 meses para ficar pronta. A primeira vez que Weller a vestiu, demorou 11 horas. O traje pesava mais de 80 quilos e, sob o calor de 50 °C do Texas, o ator perdia quase 1,5 kg de suor por dia.

Dirigindo de Cueca: O traje era tão desajeitado que não cabia no Ford Taurus da polícia. Nas cenas em que Murphy dirige, Weller estava usando apenas a parte de cima da armadura, pilotando de cueca na parte de baixo para caber no banco!
- Orçamento: O filme custou modestos 13 a 14 milhões de dólares, dependendo massivamente da genialidade criativa de sua equipe de efeitos práticos.
Veredito do Pitizzo
E você, sobreviveria ao turno noturno da OCP? Acha que o ED-209 merecia mais alguns frames de animação? Robocop é um personagem original ou uma cópia do 8-Man?
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Universo Expandido e o Futuro
A franquia cresceu para além de 1987, embora com tropeços. Tivemos RoboCop 2 (1990) e o muito criticado RoboCop 3 (1993), além da série animada da Marvel Productions, séries live-action e muitas HQs. Em Robocop de 2014, o diretor brasileiro José Padilha reimaginou a obra com discussões sobre drones militares, mas sem o mesmo humor ácido. O projeto de sequência direta, RoboCop Returns, segue patinando no limbo de Hollywood.

LEVE O FILME PARA CASA
Para os verdadeiros fãs, o catálogo de mídia física e itens de colecionador de RoboCop (1987) é um prato cheio.
Mídias Físicas: A Edição Definitiva
Nos anos 80 e 90, o título circulou forte em VHS e LaserDisc (com destaque para a lendária edição Unrated da Criterion em 1995). Hoje, a referência máxima absoluta é a edição da Arrow Video. Se liga na beleza desse lançamento recheado de extras e imagem e som para nenhum cinéfilo (assim como eu) botar defeito.

Formatos: Disponível em 4K UHD, Blu-ray e versões Steelbook colecionáveis lindíssimas.
Edições Disponíveis: A Arrow Video lançou uma edição limitada em 2 discos (Limited Edition 4K UHD) que inclui tanto a versão de cinema (Theatrical Cut) quanto a cobiçada Versão do Diretor (Director’s Cut) sem censura. Restauração em 4K do filme a partir do negativo original da câmera, realizada pela MGM, transferida em 2013 e aprovada pelo diretor Paul Verhoeven.
- Seis cartões-postais de colecionador (exclusivo da Edição Limitada)
- Pôster dobrável de dupla face (exclusivo da Edição Limitada)
- Capa reversível com arte original e arte inédita encomendada feita pelo Paul Shipper (exclusivo da Edição Limitada)
- Livreto de colecionador de 80 páginas da Edição Limitada, contendo textos inéditos sobre o filme assinados por Omar Ahmed, Christopher Griffiths e Henry Blyth, uma entrevista de 1987 da revista Fangoria com Rob Bottin e materiais promocionais de arquivo (alguns conteúdos são exclusivos da Edição Limitada)
Sobre as especificações técnicas deste lançamento para os mais nerds em qualidade cinematográfica, espere o que tem de mais moderno em questão de tecnologias utilizadas, tanto na camada de áudio, como na de vídeo:
Áudio:
Inglês: Dolby TrueHD 7.1 + Dolby Atmos (48kHz, 24-bit)
Inglês: DTS-HD Master Audio 5.1 (48kHz, 24-bit)
Inglês: DTS-HD Master Audio 4.0 (48kHz, 24-bit)
Inglês: DTS-HD Master Audio 2.0 (48kHz, 24-bit)
Vídeo:
Codec: HEVC / H.265 (78.81 Mbps)
Resolução: 4K Nativo (2160p)
HDR: Dolby Vision (perfil 7), HDR10
Aspecto de tela: 1.85:1
Extras desta edição:
- Disco Um – Versão do Diretor
- Comentário em áudio com Paul Verhoeven, Jon Davison e Ed Neumeier
- Comentário em áudio com Paul M. Sammon
- Comentário em áudio com os fãs Christopher Griffiths, Gary Smart e Eastwood Allen
- O Futuro da Aplicação da Lei (HD, 17 min)
- RoboTalk (HD, 32 min)
- A Verdade sobre o Personagem (HD, 18 min)
- Escalando o Elenco de Old Detroit (HD, 8 min)
- Conectando as Cenas (HD, 11 min)
- Analógico (HD, 13 min)
- Mais que uma Máquina: Compondo a Trilha de RoboCop (HD, 12 min)
- Adereços de RoboCop (HD, 13 min)
- Perguntas e Respostas com os Cineastas (2012) (HD, 43 min)
- RoboCop: Criando uma Lenda (HD, 21 min)
- Vilões de Old Detroit (HD, 17 min)
- Efeitos Especiais: Ontem e Hoje (HD, 18 min)
- Easter Egg de Paul Verhoeven (HD, 1 min)
- Cenas Deletadas (HD, 3 min)
- A Sala de Reuniões: Storyboards (HD, 6 min)
- Imagens de Produção do Diretor (HD, 12 min)
- Trailers (HD)
- Spots de TV (SD)
- Galerias de Imagens (HD)
- Disco 2 – Versão de Cinema
- Comentário em áudio com Paul Verhoeven, Jon Davison e Ed Neumeier
- Faixas de trilha sonora isolada (HD, 10 min)
- RoboCop – Versão editada para televisão (HD, 95 min): Apresentada em proporção de tela 4:3; as especificações indicam que esta versão utiliza codificação HEVC com cores de 10 bits, mas limita-se à resolução 1080p HD, espaço de cor Rec.709 e 60 fps.
- Comparação em tela dividida: Versão sem cortes vs. Versão de cinema (HD, 4 min)
- Comparação em tela dividida: Versão de cinema vs. Versão para televisão (HD, 20 min)

Trilha Sonora: O Som de Detroit
A grandiosa trilha sonora composta por Basil Poledouris (Conan, o Bárbaro) mistura orquestrações majestosas com batidas metálicas (vencedora do BMI Film Music Award). Além das edições expandidas em CD da Varèse Sarabande, a Milan Records lançou o remaster das fitas originais em gloriosos 2 LPs de vinil prateado. Catalogar discos é um prazer indescritível, e ter o acabamento caprichado dessa trilha na coleção para girar na vitrola é uma experiência obrigatória (palavra de colecionador!).

Bonecos e outros produtos de merchandising
O design do ciborgue é o sonho de consumo no colecionismo. A NECA Toys possui uma linha fantástica na escala de 7 polegadas (incluindo figuras “Battle Damaged” com o rosto de Peter Weller e um ED-209 com molas). Se você prefere articulação premium, a japonesa Medicom lançou o personagem na incrível linha MAFEX. Já a Super7 trouxe um clima bem nostálgico na linha Ultimates, cheia de acessórios bizarros. Dá para montar a distopia da OCP direto na sua estante!























































